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Expedição 2 da Força da Natureza

A Expedição 2 da Força da Natureza esteve no passado fim de semana (1, 2 3 de dezembro) em Oliveira do Hospital. Três dias de intenso trabalho, de uma equipa pequena, mas que fez toda a diferença no apoio aos trabalhos de reconstrução das zonas ardidas. Os voluntários deste projeto da Vigararia de Cascais vieram da Paróquia de Cascais e Estoril e no primeiro dia estiveram a apoiar as operações logísticas de triagem e arrumação de roupa, medicamentos e alimentos. Uma tarefa que parece não ter fim! Nos dias seguintes visitaram uma exploração pecuária e uma queijaria do famoso Queijo da Serra, que foi afectada pelo fogo, e estiveram a fazer trabalhos de contenção do solo em plena serra, para minimizar os danos causados pela erosão.

Fizeram ainda vários contactos com as entidades locais, das quais se destaca a Paróquia, para abrir caminho às próximas expedições.

Testemunho

No fim de semana passado, pus a mochila ás costas e com 3 amigos seguimos rumo a Oliveira do Hospital, o objectivo era ir ajudar aqueles que viram no passado mês de Outubro as suas vidas serem devastadas por um fogo incontrolável, mas o saldo foi muito maior. Ao levar os meus braços e a minha vontade, trouxe de regresso o coração cheio, cheio de felicidade, cheio de amor, cheio de esperança, sinto que trouxe muito mais do que levei e tenho a leve esperança que tenha deixado aos que lá ficaram a mesma sensação.Porque é isso que acontece, quando escolhemos dar, quando escolhemos darmos-nos, os milagres acontecem, e acontecem em tudo e em todos, nas pequenas e nas grandes coisas.

Quando escolhemos entregarmos-nos, dar a mão, partilhar o pouco que temos, o pouco que somos, tornamos-nos maiores, muito maiores, a dimensão da vida agiganta-se e passa a ter outro sentido, darmo-nos ao outro dá-nos vida, dá-nos o sentido da verdadeira VIDA,  Senti-me útil, é verdade, e isso fez-me sentir bem, muito bem, o que não é menos verdade. 

Mas recebi também uma grande lição de vida.

Podia aqui descrever exaustivamente as varias tarefas que realizamos, que podem com facilidade ver no site da Força da Natureza, mas prefiro contar-vos as pequenas coisas que me deram uma grande lição, e que imagino não vos serão indiferente:

A primeira tem a ver com o cuidado com que todas estas doações estão a ser tratadas, quando chegamos ao armazém o presidente da junta de Oliveira do Hospital disse-nos: - Não se pode estragar nada e as coisas têm que chegar àqueles a quem são destinadas, isso é uma grande preocupação que temos, é além de tudo o respeito que temos que ter por aqueles que nos ajudaram. E de facto têm, nada se estraga, um pacote de arroz ou de massa que rebente é transferido para a secção das rações, desta forma pode ser utilizado para a alimentação dos animais, e eu assisti a isso, toda a roupa que chega é tríada e dividida, a que não está em condições de ser usada, é levada para ser reciclada, todas as caixas e sacos, são separados também para reciclar, assim como os medicamentos. Não estão a brincar ás reciclagens, estão a leva-las muito a sério, com um enorme respeito pelos recursos e por aqueles que os deram.

Em Seia, onde fomos acompanhados pela proteção civil e pelo biólogo José Conde, foi fascinada que vi o carinho com que olhavam para aquela serra queimada e a paixão e paciência com que nos explicaram tudo o que estávamos a fazer e a importância desse ato para o ecossistema e no impacto que tem na vida de todos nós.
Não foram só aquelas populações que foram atingidas, fomos todos, foi o nosso pais, foram os nossos recursos, pelo que a responsabilidade de tratar de todas as consequências não é só "deles", aqueles lá longe.... é de todos nós.

É por tudo isto e porque de facto me sinto muito grata pelo que vivi este fim de semana, que quero agradecer a todos que lá nos receberam, pelo carinho e simpatia com que o fizeram e claro à Antonieta, ao Diogo e ao Zé Manel, por partilharem comigo estes dias.

A todos os meus amigos, lanço-vos o repto de se juntarem à Força da Natureza, e tragam-nos também o vosso testemunho. 

Catarina Pereira de Mello