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Força da Natureza arranca no Dia Mundial dos Pobres

Força da Natureza arranca no Dia Mundial dos Pobres

O Dia Mundial dos Pobres, e o repto do Papa Francisco para que amemos “menos com palavras e mais com obras”, foi o mote para o lançamento da missão Força da Natureza. No passado domingo, dia 19 de novembro, foi apresentada nas paróquias da Vigararia de Cascais esta missão que se destina a ajudar as populações afetadas pelos incêndios.

O concelho de Oliveira do Hospital será a zona de intervenção deste grupo que irá para o terreno limpar casas e terrenos, ajudar na reconstrução e recuperação de zonas destruídas pelo fogo e apoiar as ações de logística e distribuição de bens. O objetivo da Força da Natureza é disponibilizar voluntários que possam, ao longo de vários meses e durante os fins de semana, apoiar as entidades locais nas ações de recuperação e reconstrução.

A Força da Natureza assegura o trabalho e o acompanhamento técnico dos voluntários no terreno, bem como o seu alojamento. Os transportes e a alimentação são combinados com cada expedição.

O tempo é de urgência, pois a dimensão da tragédia é avassaladora. Muito trabalho está por fazer e a mão de obra é escassa, pelo que toda a ajuda, por mais pequena que seja, poderá fazer a diferença. Além do apoio operacional, a Força da Natureza pretende ainda angariar bens e fundos que ajudem à recuperação económica da região e evitem o agravamento da desertificação do País.

DÁ A MÃO A QUEM ESTEVE A BRAÇOS COM O FOGO!

Testemunho

"Bem-vindos a Oliveira do Hospital" - Esta foi a frase que ficou impressa no nosso pequeno grupo após a primeira Expedição de ir levar uma ajuda a quem perdeu tudo.
Partimos na 6ª feira passada pelas 17h30 e chegámos a Oliveira do Hospital pelas 21h30. Levei comigo4 jovens, dos 18 aos 22 anos que, apesar de terem de estudar para os testes da faculdade, decidiram arriscar, acreditando que Deus não se deixa vencer em generosidade.

No sábado fomos recebidos de uma forma extraordinária pelo Presidente da Junta de Freguesia, o Sr. Nuno Oliveira, que nos quis inteirar de tudo o que se está a fazer para superar este momento de crise. Foi muito bom este primeiro momento, com ele, porque nos relatou factos impressionantes que viveu nos primeiros dias da tragédia. Sentimos que também era importante, para ele, aquele momento, de poder descomprimir e passar para nós aquela grande dor. Foi como se passássemos a carregar juntos aquela cruz.

Entre outras coisas disse-nos que no dia 15 de Outubro, quando se deram os incêndios, só conseguiu ir descansar passados quatro dias e que, mesmo assim, não conseguia dormir só de pensar em como solucionar os problemas. Contou-nos também que os colegas da instituição bancária onde trabalha têm sido muito compreensivos por ele desligar às 16h (sai a correr e vai para o terreno, onde é preciso arregaçar as mangas).

No anfiteatro da cidade, existe um espaço improvisado onde se está a armazenar toda a mercearia, artigos de higiene e rações para os animais. Foi neste espaço que trabalhámos no sábado, organizando as prateleiras e fazendo a separação dos diversos géneros. No domingo, estivemos a trabalhar no parque de estacionamento subterrâneo onde se improvisou o grande armazém de roupa, calçado, material escolar, brinquedos, loiças, electrodomésticos, etc. É impressionante ver a generosidade que tem chegado dos diversos pontos do país e do estrangeiro.

O nosso trabalho consistiu em fazer a triagem de brinquedos e material escolar. Tudo o que estivesse partido, sujo e incompleto tinha de ir para o lixo. Foi um trabalho minucioso e de pôr à prova a nossa paciência. Abrir sacos e sacos e verificar se estava tudo completo. Muitos brinquedos vinham desmanchados, sem caixa e tínhamos de perceber se dava para montar. Depois enchemos caixotes distintos com brinquedos para bébé, menino, menina, conforme as idades. Selámos as caixas e rotulámos. Como receberam coisas em excesso, estão a empacotar tudo bem acondicionado para se enviar para outros Concelhos necessitados ou para Instituições.

Ao regressarmos a Cascais, logo ao sair da cidade, reparámos num grande cartaz que dizia: "O Renascer de Oliveira do Hospital - Bem-hajam pela vossa ajuda", parecia que a leitura deveria ser feita doutra forma; apesar de algum cansaço sentíamos que tínhamos trazido connosco muito mais do que aquilo que demos.